Por Infogr.am

Randy Krum

Um dos primeiros Curadores de infográficos da Internet fala da evolução do Cool Infographics e de Marketing Digital

agosto 6, 2012

Randy Krum, founder of Cool Infographics and InfoNewtFaça uma pesquisa no Google pelo termo ‘infographics’.

Fez? Então é bem provável que um dos três primeiros resultados o Cool Infographics.Acertei?

Durante anos, esse site tem sido referência na Internet, um daqueles que você logo visita quando começa a a pesquisar pelo assunto. Nele, é possível encontrar de infografias que vão desde as publicadas em revistas e jornais, até às que se tornaram tão populares na Internet.

O site está em constante evolução, oferecendo novos recursos aos seus milhares de visitantes diários que cada vez mais procuram pelo tema ‘infográficos’ na Internet. Como consequência desse crescimento, da ‘forja’ do Cool Infographics surge uma nova empresa: a InfoNewt, uma agência de visualização de informação voltada para o mercado corporativo.

Para sabermos mais  sobre o Cool Infographics, a nova empresa que foi criada a partir do site e a utilização de infográficos como ferramenta de negócios, conversamos um pouco com o seu fundador, o americano Randy Krum.

Visual Loop (VL)- Randy, como surgiu a ideia de criar um blog sobre infográficos ?

Randy Krum (RK) -Eu não venho de um passado ligado ao Design Gráfico. Tenho uma Licenciatura em Engenharia Mecânica, e passei 15 anos trabalhando em empresas que possuíam grandes volumes de dados internos, como a pesquisas do consumidor, os números de vendas, as avaliações competitivas e até mesmo sistemas de inventário. As paredes do escritório ficavam cobertas com os meus exemplos preferidos de visualização de dados que fui colecionando, e que serviam de inspiração para as minhas apresentações e relatórios.

Lancei o Cool Infographics em Julho de  2007 , postando os links para essas visualizações que me serviam de referencia. Nessa altura haviam pouquíssimos sites abordando o tema, e não tinha qualquer expectativa de que o site fosse durar mais do que um ano.

VL – O Cool Infographics foi um dos primeiros sites a abordar o assunto ‘infográficos’. O que mudou, desde que escreveu o seu primeiro post?

RK – Em minhas palestras sobre infográficos, compartilho o gráfico do Google Insights que mostra o crescimento das buscas online pela palavra “infographics.” Claro que os infográficos não são nada de novo. Existem muitos exemplos de visualizações e  infográficos elaborados nos últimos 100 anos. Só que o termo ‘infográfico’ ficava confinado a jornais e era apenas uma etapa do processo de produção de conteúdo.

(imagem: Google Insights)

Nos últimos dois anos, a Internet amadureceu a um ponto em que as pessoas estão agora fazendo uso do infográfico como a principal fonte de notícias e informações. Fotos e gráficos sempre melhoraram a leitura de conteúdo impresso, e isso é ainda mais evidente na Internet. Simultaneamente, ferramentas como o Tumblr, Flickr, Blogger e WordPress ajudaram a que a ‘publicação pessoal’ se tornasse algo cada vez mais comum. As pessoas que usam essas ferramentas rapidamente chegaram à mesma conclusão: que conteúdo visual atraia mais tráfego e engajamento, e que infográficos eram muitas vezes mais eficazes do que fotos.

Nos últimos dois anos, a Internet amadureceu a um ponto em que as pessoas estão agora fazendo uso do infográfico como a principal fonte de notícias e informações. Fotos e gráficos sempre melhoraram a leitura de conteúdo impresso, e isso é ainda mais evidente na Internet.

VL – Além de escrever no blog, você também tem atuado bastante nas Mídias Sociais, sobretudo nos últimos anos. Qual a importância desse trabalho, e o que aprendeu com essas experiências?

RK –  Os profissionais de SEO e Marketing Digital transformaram o infográfico em um novo veículo, uma nova media online. Com base nos anos que tenho com o Cool Infographics e vendo como alguns designs se tornaram ‘virais’ enquanto outros, igualmente excelentes, não alcançaram esse sucesso, consegui ‘afinar’ a minha percepção do que é preciso para um infográfico ser bem sucedido na Internet. Hoje em dia, um infográfico popular tem por detrás dele uma toda uma  estratégia de divulgação e promoção para ajudar nesse sucesso.

Eu ainda uso o Twitter como a minha principal plataforma de mídias sociais. Acho isso até irônico, já que não tão simples compartilhar imagens no Twitter, mas é nele que eu recebo mais retorno e comentários das pessoas. Outros serviços, como o Facebook, Google+, Digg, LinkedIn e o  StumbleUpon, também geram tráfego, mas nunca foram tão eficazes para mim quanto o Twitter. O Pinterest é um novo espaço para compartilhar imagens, então é óbvia a utilização para infográfico. Descobri que agora tenho uma audiência completamente diferente que segue a  Galeria do Cool Infographics  no Pinterest , comparando com o público que segue o blog e que procura discussões adicionais e comentários sobre os designs publicados.

Os profissionais de SEO e Marketing Digital transformaram o infográfico em um novo veículo, uma nova media online.

VL – E mais recentemente, criou uma agência de infográficos, a InfoNewt. O que o motivou a dar esse passo?

RK – Nos últimos anos, enquanto publicava conteúdo no Cool Infographics, era comum receber mensagens de pessoas interessadas em que eu criasse infográficos para eles, só que eu não tinha tempo. Em 2009, fui afetado por um processo de demissão em massa na empresa em que estava trabalhando, e de repente o tempo deixou de ser um problema. Comecei a responder a essas solicitações, e no final de 2009, estava a tempo inteiro dedicado a produzir infográficos para clientes. Nascia a  InfoNewt.

VL – Sair de ‘Curador’ para se tornar um ‘Criador’ não deve ter sido fácil. Quais os principais desafios que encontrou, para se estabelecer nesse mercado tão competitivo?

RK – Cerca de metade do meu trabalho é para uso interno em empresas. Os designs são feitos com base em dados confidenciais, e são usados em apresentações e ações de comunicação interna. Tenho uma enorme vantagem, vindo de uma vivencia corporativa, porque entendo perfeitamente os dados que eles têm disponíveis. O desafio é que eu não posso compartilhar esses trabalhos para compor o meu portfólio online. Para qualquer negocio de design, o potencial cliente quer ver o seu trabalho, e você é contratado porque eles gostaram do que viram nos seus trabalhos anteriores.

Por isso, precisei criar alguns infográficos usando dados públicos para poder compartilhar na Internet. Esta necessidade por um portfólio foi o que me levou a produzir muitos dos meus trabalhos, como o  The Caffeine Poster, My Digital Life 2.0, o Bedford Budget Poster e o Online Conversation Map. Estes foram projetos imensos, com os quais me envolvi muito, mas eram projetos pessoais sem ninguém pagando por eles. Publicar esses trabalhos foi o que levou ao crescimento inicial e sucesso da InfoNewt  enquanto empresa.

VL – Quando cria um infográfico para um cliente, quais as suas principais preocupações?

RK – Os três objetivos mais importantes, e normalmente os mais desafiadores, quando se desenvolve um infográfico para um cliente, são:

Conte uma história. Todo o mundo tem dados, mas um bom infográfico use a visualização de informação, a ilustração e o texto para contar história que cative. Muitos clientes querem colocar todas as estatísticas que encontram, mas infográficos confusos que não contam uma história de forma clara nunca são populares. Um bom ‘storytelling’ e um bom design é a combinação mágica.

Identificar a Ideia principal. Você precisa definira a mensagem principal logo no inicio do projeto, porque a maioria das pessoas não vai ler o infográfico todo. Um design bem sucedido consegue comunicar a ideia central ao leitor em menos de cinco segundos. Dessa forma, até aquelas pessoas que não leem tudo ficam com uma ideia do que você tentou passar.

Minimizar o Texto. Se as pessoas vêm muito texto em um infográficos, elas desistem e abandonam o site sem sequer ler. Os clientes ainda têm dificuldade para entender isto, e querem colocar vários parágrafos sobre  empresa, os produtos,  ou porque é que aquela informação é importante. Definitivamente, existe um limite quanto à quantidade de texto  que a audiência tolera antes de abandonar o infográfico.

Muitos clientes querem colocar todas as estatísticas que encontram, mas infográficos confusos que não contam uma história de forma clara nunca são populares. Um bom ‘storytelling’ e um bom design é a combinação mágica.

VL – O que podemos esperar no futuro, tanto do Cool Infographics como da InfoNewt?

RK – O Cool Infographics vai continuar evoluindo. Acrescentei recentemente uma página de vagas (Cool Jobs) , para que as empresas anunciem as suas vagas para freelances e  full-time, e estou trabalhando em mais algumas ideias.  Os infográficos estão evoluindo, se espalhando para outros tipos de media como vídeos e designs interativos e o blog terá de se adaptar para continuar a oferecer os melhores conteúdos desses formatos

A  InfoNewt está crescendo, e continuaremos a experimentar com novas mídias e formas cada vez melhores de compartilhar infográficos na internet. A criação de visualizações para serem usadas em apresentações , relatórios e planos de negócios parecem ser os nichos mais atraentes para levar os infográficos para dentro das empresas, e estamos fazendo trabalhos mito interessantes com ferramentas como o PowerPoint, Keynote e Prezi. Em termos pessoais, comecei a fazer palestras sobre visualização de informação para alunos de MBA, organizações profissionais e até mesmo para a CIA (U.S. Central Intelligence Agency).

VL – Muito obrigado, Randy, e continuação de um ótimo trabalho!

RK – Obrigado, Tiago. Estou animado com vosso novo site e ansioso para ver o que vem aí pela frente com o Visual Loop!

 

****

Agrademos ao Randy por nos ter concedido esta entrevista, e desejamos o maior sucesso tanto para o Cool Infographics, como para a sua empresa. Conecte-se a ele no no Twitter.

Escrito por Tiago Veloso

Tiago Veloso is the founder and editor of Visualoop and Visualoop Brasil . He is Portuguese, currently based in Bonito, Brazil.

Siga:
Comentários