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Gustavo Faleiros

O jornalismo de dados no Brasil e a visualização de informação como ferramenta de conscientização ambiental

setembro 18, 2012
Foto: Gustavo Faleiros

É sempre um prazer para nós podermos trazer entrevistas aqui no Visual Loop Brasil. Até hoje, já falamos com importantes nomes da visualização da informação, mas esta é a primeira conversa que temos ‘100% made in Brazil’!

Jornalista formado pela PUC-SP com mestrado em Política Ambiental pelo King´s College da Universidade de Londres, Gustavo Faleiros já é um nome bem conhecido no jornalismo Brasileiro. Começou como repórter da editoria Brasil do jornal Valor Ecônomico, de 2001-2004 e, entre os 2006 e 2011, atuou como correspondente em Brasília e editor do site O Eco, onde foi responsável pelo lançamento dos projetos oEcoAmazonia e Geonotícias, e mais recentemente participou do desenvolvimento do Mapas Coletivos, com apoio do Instituto Claro e parceria com a jornalista Juliana Mori.

Hoje, divide o seu tempo entre O Eco, com especial dedicação ao InfoAmazonia (falamos dele aqui), os trabalhos como bolsista Knight pelo ICFJ (o Centro Internacional para os Jornalistas) e os programas de treinamento e projetos de jornalismo de dados junto à Folha de São Paulo, do qual também já falamos aqui.

Visual Loop (VL) – Conte-nos um pouco como foi a sua entrada no meio jornalistico, e como foi o primeiro contato com a visualização de informação.

Gustavo Faleiros – Minha carreira começou efetivamente em 2001 quando entrei no Valor Econômico. Embora gostasse de jornalismo econômico não imaginava que essa seria minha primeira escolha. Mas eu gostei muito da experiência e acho que ali começou toda uma relação com dados e visualização. Tínhamos uma relação bem próxima da arte, comandada pelo Renato Brandão. Sempre mandávamos roteiros para os gráficos e sugeríamos algo. Desde então eu já tinha um certo amor por mapas e me lembro que um dos caras da arte até me apelidou de bicho geográfico.

VL – Não sendo um tema novo, com certeza a importância do jornalismo de dados cresceu muito nos últimos anos. Quais as suas referencias pessoais sobre o assunto, tanto a nível de autores individuais como de publicações?

GF- A verdade é que eu cheguei no jornalismo de dados sem saber que estava chegando lá. Desde 2006, quando passei a trabalhar em O Eco, a agência de notícias ambientais, comecei a colecionar dados sobre queimadas e desmatamentos. Aí tive como principais referências  as pessoas que trabalhavam com SIG dentro do INPE, ou o Carlos Souza, chefe do laboratório de geotecnologia do Imazon. Por isso também tive treinamentos com a turma do Google, especificamente o time outreach deles, comandado pela Rebecca Moore. Sean Askay, por exemplo, é o cara que faz vários dos tours 3D no Google Earth e com ele aprendi muitas coisas. De uns dois anos para cá comecei a me interessar seriamente em olhar exemplos e profissionais no campo de dados e reportagem assistida por computador e ai o número de referências não para de crescer. Admiro muito as análises de José Roberto Toledo e de Marcelo Soares no Brasil. No exterior, o time de Aron Pilhofer no New York Times já fez coisas que mudaram o mundo.

VL – Na sua opinião, como está o Brasil, na questão do jornalismo de dados? Sabemos que os principais veículos já investem em equipes e projetos nas suas redações, mas e quanto aos jornais de municípios menores, ou até mesmo de outras Capitais além de São Paulo e Rio de Janeiro?

GF – Olha, eu posso dizer que estamos bem pelo que tenho visto por aí. Não sei avaliar jornais menores de escala municipal, mas nas grandes capitais tem muito coisa boa rolando. A Tarde da Bahia e a Gazeta do Povo