Entrevistas

Conversas exclusivas com alguns dos principais nomes do campo da visualização de informação

Conversa com ... Andy Kirk

O trabalho, o marketing pessoal e o futuro da visualização de dados

10 de julho de 2012  |  CATEGORIAS: Entrevistas

Andy Kirk

(foto: Andy Kirk)

Uma das primeiras pessoas que conhecemos depois que começamos a nossa viagem pelo mundo da visualização da informação, lá em 2010, foi o Andy Kirk. Ele também havia lançado seu blog poucos meses antes, e isso foi algo que acabou nos unindo imediatamente. Estávamos todos animados com a popularização do tema, trocamos vários e-mails e ele até fez a gentileza de nos convidar para uma entrevista no Visualising Data.

Com o tempo, o seu trabalho e dedicação renderam bons frutos. Ele é hoje bem conhecido no meio, é palestrante em vários eventos (inclusive na última edição do Malofiej), escreve para sites como o O’Reilly Radar, e é convidado frequentemente para compartilhar as suas opiniões em sites, blogs e podcasts.

Mas a diversão está apenas começando!

Apesar dos inúmeros compromissos e viagens constantes, o Andy tem vários projetos para um futuro próximo, e conversou conosco sobre eles, o seu trabalho e o futuro da visualização da informação.

 

Visual Loop (VL) – Para começar, pode nos contar um pouco sobre como foi a sua entrada no campo da visualização de informação?

Andy Kirk (AK) – Eu tomei conhecimento da área no final de 2006. Na época, eu trabalhava como Gerente de Informação da Universidade de Leeds, e tinha sob minha responsabilidade a análise e apresentação de um volume considerável de dados. E aconteceu de forma bastante casual. Eu estava navegando na internet, procurando alguns exemplos de um gráfico específico, e me deparei com o site do Stephen Few, o Perceptual Edge. Na escola, eu era distinto da maioria, na medida em que sempre tive um interesse em artes e matemática, como campos separados. Mas encontrar aquele site foi, para mim, como um daqueles momentos ‘Eureka!’. Pouco depois, tive a oportunidade de fazer um Mestrado, e escolhi o tema da visualização da informação. Daí, em 2010, criei o blog para continuar o meu compromisso de aprendizado constante sobre a área, e isso felizmente conduziu a diversas oportunidades de trabalho em design, consultoria e treinamentos.

VL – Atuando como formador, nos seus treinamentos, você deve ter tido contato com pessoas de históricos profissionais bem diferentes. Como consegue gerenciar essa situação, por forma a conseguir atender às expectativas de todos os alunos?

AK – Treinar pessoas de contextos profissionais diferentes é perfeito. Isso acrescenta muito na variedade de contribuições, ideias e interações que ocorrem durante as sessões. Todo mundo tem diferentes perspectivas e isso significa que todos aprendem algo de novo, em vez de apenas reforçar o que já sabiam. O meu público-alvo sempre foi essa enorme massa de pessoas que, de um momento para o outro, se vê obrigada a analisar dados e a apresentar visualizações. Enquanto que no passado, isto era tarefa para um especialista, hoje o tópico está muito mais ‘mainstream’, e por isso quis desenvolver um treinamento para dar a essas pessoas uma visão inicial sobre o assunto. E nos vários países e cidades que tenho visitado é possível identificar algumas diferenças culturais sutis, mas que não afetam o treinamento, desde que falar inglês não seja um problema.

O meu público-alvo sempre foi essa enorme massa de pessoas que, de um momento para o outro, se vê obrigada a analisar dados e a apresentar visualizações.

VL – Você precisa também estar atento a todos os desenvolvimentos na área, desde os ‘posters ilustrados’ até ao design de infográficos na imprensa, já para não falar de trabalhos acadêmicos, linguagens de programação e tecnologias e muitas outras. Como é que você consegue trazer tudo isso para dentro do seu treinamento?

AK – Desenvolver um curso introdutório que cubra o vasto espectro de aplicações da visualização da informação é um desafio tremendo. Tenho tentado conceber um pacote de treinamento de um dia que ofereça aos alunos, acima de tudo, uma metodologia de projeto aplicável a qualquer desafio no campo da visualização de informação, independente dos recursos tecnológicos, complexidade do problema, tamanho dos dados a serem analisados, etc. Por isso, sempre espero que estas sessões sejam uma ampla introdução ao assunto e inspire as pessoas a continuarem pesquisando e estudando posteriormente.

VL – Atualmente, o Visualising Data é um dos blogs mais respeitados, nesta área. Que desafios você encontra para manter uma presença online, e como lida com eles?

AK – Manter o blog tem sido um desafio (por vezes cansativo), mas é algo que se mostrou absolutamente inestimável. Hoje em dia, ter uma presença online é vital para qualquer profissional, mas em especial para aqueles que trabalham com design. Um blog funciona como a montra da sua loja, permite às pessoas ver o seu trabalho, seus pensamentos, seus artigos – é a sua marca, essencialmente. Para os designers, em particular, é a chance de mostrar o seu trabalho, mas enriquecer o seu portfólio com narrativas e esboços e trabalhos, é realmente uma maneira fantástica para ir um pouco mais longe e revelar seus métodos e técnicas. Um blog também vai atuar como um vetor de aprendizado, pois força você a pensar cuidadosamente sobre o que você vai escrever. O aspecto mais desafiador, no entanto, é a manutenção de uma certa perspectiva editorial e a frequência de postagem, pois você precisa manter sempre atualizado e com conteúdo de qualidade para que as pessoas queiram segui-lo e retornar como público cativo.

Hoje em dia, ter uma presença online é vital para qualquer profissional, mas em especial para aqueles que trabalham com design. Um blog funciona como a montra da sua loja, permite às pessoas ver o seu trabalho, seus pensamentos, seus artigos – é a sua marca, essencialmente.

VL – Em um dos seus últimos posts, você falou de algumas novidades no horizonte. Pode compartilhar conosco o que são esses projetos?

AK – Bom, sim, estou neste momento a trabalhar no meu primeiro livro, sobre o qual estarei em condições de falar com mais detalhes nas próximas semanas – estou um pouco atrasado co0m esse projeto. Será um livro que complementará muito do que eu tento passar nos meus treinamentos, oferecendo aos leitores um conjunto de estratégias úteis para criar visualizações de informação eficientes. Como disse,terei mais detalhes em breve. Continuo também trabalhando para melhorar os meus cursos – irei anunciar mais uma série de treinamentos em várias cidades, mas quero também diversificar, talvez com a opção de aulas presenciais ou até tutoriais em vídeo. Além disso, vou também renovar o blog, penso que já chegou a altura de ‘pintar a fachada’.

VL – Você testou e coletou dezenas, ou talvez centenas, de recursos e ferramentas, você tem sido uma presença regular em eventos importantes, e você já se encontrou com algumas das pessoas mais influentes neste campo. Na sua perspectiva, quais são as principais preocupações e desafios para o crescimento contínuo do campo da visualização de informação?

AK – Acho que os principais desafios e oportunidades estão nas áreas da Educação e da Pesquisa. O campo da visualização de informação é muito novo, ainda busca o seu espaço no mundo. Muitas pessoas estão se interessando pelo assunto, mas, como a maioria de nós até agora, elas não receberam o benefício de uma formação especifica na área. E isto não é só uma questão profissional. Todos deveríamos pensar como podemos introduzir nas escolas e faculdades o ensino desta disciplina tão importante, para que as próximas gerações estejam melhor preparadas.

Do lado a Pesquisa,ainda temos muitas respostas a descobrir. E para muitas das perguntas, talvez nunca encontremos. Mas um numero crescente de acadêmicos e núcleos de pesquisa estão desafiando as fronteiras do conhecimento sobre este campo, e isso conduzirá, inevitavelmente, a uma maior compreensão e a novas aplicações práticas.Paralelamente, estamos vendo criativos espetaculares aparecendo com maneiras inovadoras de retratar dados e informação, e do lado da tecnologia vemos o surgimento constante de novas ferramentas para produção de visualizações. Ao longo dos próximos anos, quando as coisas se acalmarem, teremos elevado a nossa maturidade sobre o assunto a um novo nível.

Estamos vendo criativos espetaculares aparecendo com maneiras inovadoras de retratar dados e informação, e do lado da tecnologia vemos o surgimento constante de novas ferramentas para produção de visualizações.

VL – Para fechar, Andy, qual a sua opinião sobre a infografia e visualização de informação no Brasil?

AK – Sou fascinado pela visualização de informação no Brasil. Sempre fiquei impressionado com a variedade e criatividade nos infográficos que vejo sendo produzidos por aí e adoraria ver, ler e ouvir mais sobre os progressos feitos nesse país. E como pretendo – um dia! – levar os meus treinamentos para a América do Sul, o Brasil será naturalmente uma das localidades chave nessa jornada.

Sou fascinado pela visualização de informação no Brasil. Sempre fiquei impressionado com a variedade e criatividade nos infográficos que vejo sendo produzidos por aí e adoraria ver, ler e ouvir mais sobre os progressos feitos nesse país.

 

Agradecemos ao Andy por nos ter concedido esta breve entrevista e esperamos que ele continue o seu trabalho fascinante, diminuindo o fosso entre aqueles mais experientes no campo da visualização da informação e aqueles que estão começando agora. Voc~e pode acompanhar o trabalho do Andy no Visualising Data e o Twitter.

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