Entrevistas

Conversas exclusivas com alguns dos principais nomes do campo da visualização de informação

Conversa com ... Jason Oberholtzer

O co-fundador do I Love Charts compartilha os segredos do sucesso do site, e muito mais...

17 de julho de 2012  |  CATEGORIAS: Entrevistas

Jason Oberholtzer, co-fundador do I Love Charts

(foto: Jason Oberholtzer)

Quando você pensa em visualização de dados, ‘engraçado’ não é, provavelmente, o primeiro adjectivo que vem à cabeça. Este é, afinal, um assunto sério, certo? Bem, na verdade, sim, é. Mas não tem como alguma coisa ser “grande” na Internet sem um pouco de humor atrelado. Simplesmente não acontece.

E, caso não tenham reparado, os Infográficos já atingiram esse patamar, invadindo os quatro cantos da web. Contudo, eles não precisam ser muito complexos para se espalhar pelo Facebook, Twitter e outras redes sociais. Às vezes, um gráfico simples funciona. E se esse gráfico for parar no I Love Charts, então é bem provável que ele se torne viral.

Sites como The Huffington Post, CBS News, The Guardian, New York Observer, Buzzfeed, entre tantos outros, são unânimes: o I Love Charts é um daqueles blogs que você precisa acompanhar – não importa quem você é, o que faz ou onde vive. Apenas siga.

Nós conhecemos o Jason Oberholtzer há alguns anos atrás, quando estávamos ainda dando os primeiros passos no Tumblr, e ele aceitou o nosso convite para responder a algumas perguntas sobre os segredos por detrás do sucesso do I Love Charts.

Visual Loop (VL) – Para começar, Jason, pode nos contar como o I Love Charts (ILC) nasceu, e porque optaram pelo Tumblr ?

Jason Oberholtzer (JO) – Quando terminamos a faculdade (Hamilton College) em 2008, eu e o Cody Westphal criamos Tumblrs pessoais para  nos mantermos em contato com nossos amigos, à medida que nos fomos separando e entrando nessa droga de ‘mundo real’. Por volta de setembro de 2009, estávamos os dois desempregados, ou trabalhando em empregos precários, bem no meio da Recessão americana. Obviamente que reclamávamos da situação nos nossos Tumblrs.  Começamos a publicar  gráficos da nossa condição econômica, tentando ver quem conseguia fazer a melhor representação da situação. A certa altura, eu falei que deveríamos criar um Tumblr só focado nesse assunto, mas falei brincando. No dia seguinte acordei, e o Cody havia criado o blog.

E o blog nasceu da própria maneira como usávamos o Tumblr, então porque ir para outro lugar? O Tumblr é perfeito para compartilhar conteúdo visual de qualquer formato.

VL – Ao contrário da maioria dos blogs sobre visualização de informação, vocês conseguiram criar um ‘ambiente virtual’ extremamente popular para conteúdo humorístico, sarcástico e provocador . Na sua opiniã0, que outros aspectos foram determinantes para distinguir o ILC dos demais??

JO – O principal segredo é não levarmos a visualização da informação demasiado sério, mas sem nunca deixar de respeitar o assunto. Nós estamos muito mais interessados nas histórias, piadas, ideias e pessoas do que nos dados. Temos sempre priorizado conteúdo com histórias interessantes para contar, seja através das pessoas que compartilham suas experiências diárias ou na representação de dados em torno de questões que nos preocupam e afetam. Deixamos o conteúdo do blog evoluir com os nossos interesses e com os assuntos que  o nosso público parece estar interessado, e por isso estamos sempre em busca de uma história ao invés de dados frios. Nós gostamos da comunidade Tumblr muito mais do que nós gostamos de gráficos e este é o nosso modo de contribuir e fazer parte dessa comunidade.

O principal segredo é não levarmos a visualização da informação demasiado sério, mas sem nunca deixar de respeitar o assunto.

VL – Quanto tempo demorou para vocês se aperceberem que estavam perante algo grande? Houve algum momento em particular em que isso aconteceu?

JO -Quando começamos a receber atenção fora do Tumblr, foi aí que começamos a sentir algo diferente. Um ano depois de temos iniciado o blog começamos a receber muitas menções de fora, e no inverno de 2010 já eramos citados em grandes veículos da internet. A partir daí deixou de ser uma ‘brincadeira’  de moleques no seu cantinho no Tumblr. Nessa altura também, o próprio Tumblr começou a ganhar muita popularidade, muita gente começou a prestar mais atenção ao que se fazia, e com isso a cultura começou a mudar.

Não vou mentir, tenho saudades desses tempos do começo. Não que eu fosse trocar todas as oportunidades que foram geradas a partir do ILC,  ou onde o blog está hoje. Mas havia algo mesmo especial nesse primeiro ano. Nós experimentamos um monte de coisas, e a sensação era mesmo aquela de um bando de ‘nerds’ de castigo na escola, ‘zoando’ na internet.

VL – Analisando o conteúdo publicado no ILC, vocês conseguiram identificar algum padrão quanto ao assuntos mais populares, tipos de visualização, etc?

JO – Eu tento não pensar dessa forma.  Se é interessante para mim, então espero que seja interessante para os outros. Existem assuntos ‘quentes’ , mas que eu evito porque são chatos. Teríamos o dobro de menções,  se fosse esse o nosso único objetivo, mas aí o blog ia ficar ruim.

VL – Mas o que pensa desta ‘euforia’ toda em torno dos infogáficos?

JO – Faz sentido. A internet e a Informação estão de mãos dadas. E acontece o mesmo com qualquer outro assunto popular: existem aqueles que contribuem e aqueles que querem apenas explorar e capitalizar. Há sempre uma variedade muito grande de abordagens e interesses. Eu, pessoalmente, gosto.  Consigo passa o dia a ver dados porque tem muita gente compartilhando informação comigo. E sim, alguns infográficos são horríveis. Mas algumas pessoas também são.

A Internet e a Informação estão de mãos dadas. E acontece o mesmo com qualquer outro tópico: existem aqueles que contribuem e aqueles que querem apenas capitalizar. Há uma variedade muito grande de abordagens e interesses.

VL – Depois que o ILC ficou famoso, começamos a ver contribuições suas em sites como a Forbes. Foi necessário você se aprofundar no campo da visualização da Informação para essas colaborações?

JO – Eu tenho, realmente, uma coluna na Forbes.com e ainda estou buscando a melhor forma de agregar valor nessas contribuições. Tem sido fantástico trabalhar com o pessoal da Forbes, eles me deram todo o apoio e me deixaram bem à vontade para experimentar e explorar diferentes estilos e assuntos. Mais do que estudar visualização de informação, precisei aprender a escrever melhor. Sou muito perfeccionista, e nunca me dou por satisfeito até atingir um produto final que eu acredite ser o melhor possível.  Não sei se é bem a resposta à pergunta, mas sim, precisei aprender também um pouco mais sobre visualização de informação. Só que passo bem mais tempo no processo de definição dos fundamentos da coluna,  na sua identidade, e como isso se pode integrar até mesmo com outros projetos pessoais em que já  trabalhei.

VL – E agora um livro, que já começa a receber boas críticas. Pode compartilhar conosco como foi o surgimento dessa ideia, e se isso é algo que continuaremos a ver no futuro?

JO – Em 2011 fomos abordados por um agente literário, falando que conseguiria vender a ideia de transformar o blog em um livro.Nós ouvimos o que ele tinha a dizer, demos uma oportunidade, e pouco tempo depois ele trouxe alguma opções de editoras interessadas na publicação. Nós escolhemos a Sourcebooks e começamos a trabalhar no projeto nesse Verão.

Chegar até à estrutura atual do livro foi um processo difícil, bem mais complicado do que imaginávamos. O nosso acordo inicial era de fazer um ‘livro de bolso’, mas depressa chegamos à conclusão de que não era isso que queríamos. Como disse, se não consigo enxergar o propósito de alguma coisa, perco o interesse. Por isso, tentamos pensar em uma maneira de agregar mais valor ao livro. Trocamos algumas ideias, e chegamos a esse formato atual: histórias suportadas por imagens, formando um livro assente numa premissa básica: “Porque fazemos gráficos?”. Decidimos nos concentrar nas histórias por detrás do conteúdo que os nossos seguidores do Tumblr nos foram enviando ao longo dos anos. Encontramos alguns temas comuns, e o livro começou, aos poucos, tomando forma;

Não sei se teremos mais livros do I Love Charts no futuro. Se nos parecer uma boa ideia, vamos atrás, Se não, não faremos mais.

Trocamos algumas ideias, e chegamos a esse formato atual: histórias suportadas por gráficos, formando um livro assente numa premissa básica: “Porque fazemos gráficos?”.

VL – Jason, algum comentário final?

JO – Lauryn Hill, se você está lendo isto, por favor solte um novo álbum. Temos saudades suas.

VL – Quem sabe?! Obrigado pelo seu tempo, Jason!

JO – Obrigado!

 

Desejamos o maior sucesso do mundo ao Jason, Cody e à imensa comunidade do I Love Charts – e que eles continuem nos divertindo por muito tempo. Você pode acompanhar as atualizações do Jason na sua coluna da  Forbes  e, claro, no seu Tumblr.

 

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