Tiago Veloso é Português, fundador do Visual Loop. Mora em Bonito (MS), e trabalha ajudando agências digitais e empresas a formarem os seus times de mídias sociais. Siga as suas atualizações no Twitter ou no LinkedIn.

Infográficos Virais - comofaz?

Algumas dicas para o uso de infográficos em Marketing e SEO

4 de junho de 2013  |  CATEGORIAS: Colunas, Destaque, Visualidade Social

Cool infog destaque 2Recentemente, fui convidado pelo Randy Krum, do site Cool Infographics, a escrever um texto respondendo à pergunta: O que faz um infográfico ser ‘cool’? Não é uma questão tão simples quanto parece, e além de mim, outros nomes do mundo da infografia e visualização de dados têm compartilhado as suas opiniões.

 

Aqui fica a tradução desse post (originalmente publicado em inglês aqui):

 

 

A ‘explosão de infográficos’ na internet começou por volta de 2009, como muitos dos leitores do Cool Infographics provavelmente já sabem. Desde aí, uma  nova indústria emergiu, uma que se dedica a desenvolver representações da visualização de informação para organizações e empresas de praticamente todos os sectores da economia.

É óbvio que com o número de infográficos de marketing a aumentar, torna-se mais difícil alcançar o impacto que vemos sendo anunciado por várias agências e especialistas SEO, quando defendem as razões para seus clientes incluirem infográficos nos seus esforços de marketing.

Um ‘infográfico viral’ pode, sim, ter esse impacto, mas acredito que o internauta está cada vez mais maturo, em termos do que vale a pena despender tempo lendo. Isso significa que o seu infográfico terá poucos segundos para criar uma boa impressão e cativar o leitor – parecido com o que acontece com as ‘velhas’ manchetes de jornais.

De facto, você não conseguirá ter melhores referências do que é um bom infográfico do que os exemplos publicados em diversos jornais e revistas. E, partindo de tudo aquilo que se pode aprender sobre infográficos apenas admirando alguns dos melhores trabalhos do mundo – como os que foram premiados no Malofiej21, recentemente -, aqui estão algumas das minhas ‘lições’ favoritas:

 

Seja relevante para audiência

Antes de tudo, ser relevante, não importa em que contexto, significa estar correto. Nada pode ser mais destrutivo para um infográfico do que a falta de precisão nas informações que está passando. Por isso, dedique tempo suficiente à pesquisa e em vez de tentar moldar os factos  a uma questão inicial ou a um determinado ponto de vista, deixe as histórias emergirem do processo de exploração de dados. Tente encontrar aquela história única, que ninguém mais descobriu. Concentre-se em oferecer uma narrativa  baseada em dados, em vez de criar simples ‘listas de factos’.

Agora, o problema com clientes de agências é que às vezes você não tem nem sequer  dados com os quais trabalhar. Eles só querem um infográfico, e se a sua empresa está tentando entrar neste mercado de criação de infográficos, não sá para desperdiçar nenhuma oportunidade, certo?

No entanto,  infográficos sem uma narrativa relevante ou baseados em fontes pouco credíveis tendem a ser menos ‘virais’ –  se isso acontece, normalmente não é bom sinal a empresa, já que podem ser duramente criticados e até de certa forma ridicularizados na Internet.

Isso significa que cabe a você, agência, pesquisar e apurar – e não adianta fazer isso apenas na Wikipedia. Verifique as informações, explore os dados, encontre a história antes mesmo de começar a desenhar alguma coisa no Illustrator. 

 

Da autoria de Andy Kirk, ‘8 hats of data visualization design’, mostrando as dimensões múltiplas de desenvolvimento de uma visualização / infográfico

Da autoria de Andy Kirk, ‘The 8 hats of data visualization design’ (os 8 ‘trabalhos’ do design de informação, tradução livre), mostrando as dimensões múltiplas de desenvolvimento de uma visualização / infográfico

 

Fácil para o cérebro, não para os olhos

O ‘impacto visual’ de um infográfico é uma das chaves no marketing na Internet, uma premissa que alimentou a ideia de que a estética significa mais para a audiência no geral, do que o conteúdo em si. Assim, para criar ‘infográficos fantásticos’, designers gráficos (maioria deles sem qualquer experiência em jornalismo visual), correm para a ilustração vectorial, começam a brincar com cores e tipografia, texturas e até fotos, acrescentando elementos que podem preencher o espaço daqueles amplos formatos de ‘torre’ que o cliente gostou e exige.

Este conceito ajudou a ‘Indústria Infográfica’ a crescer rapidamente, mas como eu disse antes, penso que o consumidor de informação está aos poucos se adaptando, evoluindo, aprendendo a processar informação visual mais intuitivamente, e com isso, prestando mais atenção ao conteúdo.

E o que a sua marca quer mesmo , em última instância, é uma mensagem que se fixe no cérebro do consumidor, e não apenas no olhar. Demasiadas cores, fontes e vectores apenas irão dispersar a atenção do leitor, desviando-o daquilo que realmente importa em um infográfico: as camadas de informação, as múltiplas visões que você não está apenas dizendo (em texto e números), mas mostrando (com gráficos comparativos).

Existem princípios científicos aplicados a todas as dimensões de design de informação, e devo recomendar o livro de Alberto Cairo, ‘The Functional Art’, como um ponto de partida nessa jornada rumo a uma compreensão mais profunda do tema. Mas essencialmente, o aspecto mais importante a ter em mente é que, se você se focar em fornecer a melhor apresentação de informação possível (e não a mais fácil ou a mais visualmente apelativa), você estará indo na direção certa para criar um infográfico que vai agradar aos olhos e ficar gravado no cérebro.

 

100 anos de Crisianismo,por Richard Johnson

Infográficos em formato ‘Torre’ podem ser úteis e são usados por publicações no mundo inteiro. Este exemplo vem do National Post (Canadá), elaborado por Richard Johnson

 

É um investimento em Marca, não em vendas

Este terceiro ponto é uma consequência dos anteriores. Para criar um ‘Infográfico Viral’, a empresa terá de investir em pesquisa, encontrar o equilíbrio certo entre a forma e a função e ainda ter as conexões adequadas para o promover na Internet. Na maioria dos casos, é necessário recorrer a fornecedores externos para essas tarefas.  

E o pior de tudo: os infográficos não vendem. E não é suposto venderem! Eles podem gerar tráfego para websites, e até mesmo alguns Leads, mas se a sua empresa está pensando em investir em infográficos só para aumentar as vendas ou algo parecido, então o meu conselho é que canalize esses recursos para algo diferente (lembrando que estou neste artigo falando apenas de um específico tipo de ‘infográfico’, e não todosde todos os usos possíveis do design de informação em uma empresa).

Se você somar a isso a falta de tolerância que o usuário da internet geralmente tem para com anúncios disfarçados de outra coisa, a única boa razão para sua empresa investir em um infográfico é porque tem algo importante a comunicar que seja melhor (não ‘mais fácil’) compreendido através de formas específicas de representação visual.

Ou, simplificando, em vez de olhar para os infográficos como ‘anúncios/press releases ilustrados’, pense neles mais como ‘resumos inteligentes de White Papers’.

Google no 3º Q, infográfico criado por por Statista

Gráficos simples podem também chamar a atençao de grandes portais, se o conteúdo for relevante. Aqui está um dos vários exemplos de gráficos publicados regularmente pela empresa Statista que foram reproduzidos em sites como o Mashable

 

 

 

Agradeço ao Randy pela oportunidade, e fica aberta a discussão: O que é um infográfico ‘cool’ para você?

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